15/02/2012 - Coluna Fatos e Versões

Atrás da Toga

Mesmo com a decisão dada pelo STF de conceder totais poderes ao CNJ para investigar desvios de magistrados e servidores do Judiciário, parece que o temor de alguns magistrados aumentou ainda mais. Entidades que reúnem juízes e desembargadores ainda resistem nas investigações e esperneiam com manobras no STF. O presidente do Supremo Tribunal Federal, Cezar Peluso, passou para o ministro Luiz Fux a relatoria de uma ação apresentada por associações de juízes que questiona a investigação feita pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a evolução patrimonial de magistrados e servidores do Judiciário. Até então, o caso estava sob análise do ministro Joaquim Barbosa, tido como mais duro aos magistrados e a favor das investigações.
A decisão de mudar a relatoria atendeu pedido da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), que alegaram que Fux já cuida de um caso semelhante no STF.
As entidades são autoras do mandado de segurança, protocolado no ano passado, que busca barrar a investigação do CNJ sobre pagamento supostamente privilegiado de auxílio-moradia e gratificações legais a magistrados. Vários pagamentos chegaram a mais de R$ 500 mil. Um relatório do Conselho de Controle das Atividades Financeiras (Coaf) aponta “movimentações atípicas” de R$ 855 milhões no Judiciário. Alguns magistrados acusam o CNJ de quebra de sigilo bancário e fiscal em processo administrativo, sem autorização judicial, além do vazamento de informações.

A chegada e a estratégia

Como já havia anunciado antes a coluna, o senador Clésio Andrade prepara uma grande festa para sua filiação no PMDB. A cerimônia deve acontecer em Belo Horizonte. O senador Clésio Andrade convidou o vice-presidente Michel Temer (PMDB) para o ato de sua filiação ao partido, no dia 5 de março. 
O convite foi feito na semana passada em Brasília, na mesma reunião em que Temer e dirigentes do PMDB-MG, acertaram composições do PMDB com outros partidos da base aliada no estado. Os líderes peemedebistas nacionais estão preocupados, principalmente com as grandes cidades. Varginha foi mencionada rapidamente na reunião, com duas alternativas possíveis para o PMDB: Candidatura própria (defendida pelo partido) ou apoio ao PT (defendido por alguns peemedebistas) caso o PT ofereça confortável espaço na vice e no governo, claro!

Contraditório

O vereador Leonardo Ciacci (PP), que é um dos pré-candidatos a prefeito da oposição, ligou à coluna para dar informações sobre o que disse o  leitor da coluna que fez comentário, publicado neste espaço, sobre a história profissional do edil. Leonardo Ciacci esclareceu que durante muitos anos trabalhou no ramo de panificação, onde foi muito bem sucedido e gerou vários empregos. Disse que suas padarias sempre foram muito frequentadas e que sempre pagou todos os impostos e honrou os compromissos, mesmo depois que fechou os estabelecimentos, em razão da mudança de cidade do seu sócio. 
Naquela época então, Leonardo resolveu mudar de ramo e fechou as padarias. Atualmente Leonardo dedica-se ao Direito, termina a Faculdade de Direito em Varginha e já possui outras graduações, mas tomou gosto e tem sido incentivado por amigos e populares a dedicar-se ainda mais a política. Disse o edil, “o Dilzon (Melo – deputado) não quebrou a DrogaJato e depois foi mexer com política, ele mudou de ramo” e hoje além de empresário, também é um político bem sucedido. 

O (des)prestígio da prata da casa

Em algumas repartições do governo mineiro estão consumindo café plantado, torrado, moído e empacotado no Paraná. Só no entorno da Cidade Administrativa há três produtores de bom café, torrado e moído na hora. O café é, juntamente com o minério de ferro, um dos maiores produtos de Minas e grande gerador de emprego e renda. 
E todos os atuais governos, de Dilma a Anastasia, estiveram em Varginha e prometeram valorizar e apoiar a cadeia produtiva do Café. Parece que o apoio prometido por Anastasia, deve ter sido aos cafeicultores de outros estados. 

Sem festa e sem pudores

Aos 32 anos, completados na última sexta, o PT parece mais subordinado que nunca ao comando de Lula. Prova disso é o foco excessivo do partido em São Paulo, onde Lula lançou um candidato (Fernando Haddad) a prefeito da Capital paulista e persegue com obsessão a idéia de derrotar o PSDB no próprio berço tucano. O que mostra também que o PT é uma legenda essencialmente paulista. Lula não participou da festa promovida pelo partido em SP, por recomendação médica.
 A presidente Dilma Rousseff e o ex-ministro “mensaleiro” José Dirceu foram os mais festejados pela militância na comemoração dos 32 anos de existência do PT. Os aplausos ficaram ainda mais evidentes, diante da vaia estrondosa recebida pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do PSD. Vaiar Kassab, que já chegou a expulsar um cidadão de uma unidade básica de saúde de SP aos gritos de “vagabundo”, tudo bem, mas aplaudir, ovacionar o réu apontado como chefe de quadrilha José Dirceu, ai já é demais, não acham? Em Varginha, pelo que se sabe, não teve festa para o PT. Será que os petistas locais não tiveram o que comemorar?

O Tempo dos caciques

A coluna já havia dito que o ex-prefeito Antônio Silva (PTB) seria uma remota alternativa do PTB para a disputa de 2012. Do mesmo modo, também disse que, dificilmente, o presidente do Democratas, Renato Paiva, seria cabeça de chapa na oposição. Muito embora o papel de Renato Paiva e Antônio Silva seja de suma importância na “construção de apoios e fortalecimento” à chapa da oposição. Embora tenha sido acordado entre os partidos da oposição que os nomes da disputa municipal de 2012 sairiam ainda em fevereiro, o prazo foi prorrogado em razão dos caciques estaduais que vão “avalizar” os nomes. 
Leonardo Ciacci (PP), Verdi Melo (PSDB) e Stéfano Barra Gazola (PTB) continuam na corrida pela cabeça de chapa, embora o apoio partidário e as pesquisas eleitorais tenham diminuído o entusiasmo dos dois últimos.
  A chapa da oposição em Varginha sairá, com certeza, depois de março, após um “espinhoso” aconchego entre os nomes do deputado federal Dimas Fabiano e do deputado estadual Dilzon Melo (PTB), sob as “bênçãos” do PSDB Aecísta e com base em números de pesquisas que já estão chegando ao Palácio Tiradentes, para municiar os técnicos eleitorais do Governo estadual tucano, que será o “patrocinador político” do enfrentamento eleitoral contra o PT em Varginha. 
O que se tem visto é que os principais partidos da oposição caminham mesmo para o “convergimento, não para a união”. Ou seja, como disse a coluna, PP, PTB, PSDB e DEM, vão tolerar-se por uma conquista maior, qual seja, vencer o PT em Varginha. No Democratas, por exemplo, já é aceita a idéia da construção de uma chapa majoritária sem a presença de um Democrata, desde de que seja garantido “espaço de poder” dos Demos, claro!

Terceira via

A construção da terceira via é vista com ceticismo pela oposição. Na verdade os oposicionistas dão como certo que, quem não estiver na oposição, será da base de apoio a reeleição petista. O que pode ser um grande engano! Os petistas não vêem os partidos “independentes” do mesmo modo dos oposicionistas. 
E mais, os petistas sabem da dificuldade e da importância de conseguirem o apoio de outros partidos, principalmente, do PMDB e PSD. A chamada terceira via, depende principalmente do PMDB e PSD, partidos de maior envergadura política entre os “independentes”, pois possuem estrutura político/financeira para lançarem candidato, e o que é mais importante, PMDB e PSD desejam isso, lançar candidato próprio. Nisso entra o “canto da sereia dos petistas, que cantam” nos ouvidos de peemedebistas locais, e do deputado federal Diego Andrade (PSD), para que apóiem a reeleição. 
O governo municipal petista tem sido beneficiado pelo apoio político do deputado do PSD e não estão sofrendo o “ataque e fúria” dos peemedebistas, que ainda “aparam arestas entre si”, daí a oportunidade vista pelos petistas de pescarem de uma só vez o apoio de um grande partido (PMDB), com muito tempo de TV e dirigentes “midiáticos e bem relacionados”, bem como o apoio de outro partido importante (PSD) que já vem com deputado federal, com ótimo trânsito no governo. Mas será que PMDB e PSD vão cair no “canto da sereia” do PT? Como alias é imaginado pela oposição. 

Terceira via 2

Será que é mais vantajoso para PMDB e PSD agregarem-se e ficar na sombra do PT? Mesmo com o forte risco de serem alijados do poder depois, como alias acontece com os partidos da base petista. Ou seria mais vantajoso a PMDB e PSD, que possuem estrutura, poder político e nomes competitivos, arriscarem a sorte e lançarem candidato próprio? Uma candidatura própria do PMDB e PSD iria garantir a ambos os partidos o que mais desejam atualmente. 
Ao PMDB, a volta à cena política como protagonista, além da eleição de vereadores, que hoje não tem e consolidação do partido, que tem andado divido.
 Ao PSD a construção de um grupo político forte e consolidado, com o despontar de nomes aptos as eleições de 2014 e 2016, além da eleição de vereadores. Com a candidatura própria, numa terceira via, o PSD também se consolidaria como uma das principais forças políticas na cidade, independente do resultado das urnas, pois certamente elegeria vereadores, formaria grupo político e ainda teria um deputado federal importante a frente das negociações com o Executivo municipal, caso não vencesse nas urnas em 2012. Ou seja, se é conveniente e confortável a PMDB e PSD, simplesmente abrigarem-se no “ninho da reeleição petista”, é também estimulante, vantajoso e politicamente mais consistente a PMDB e PSD lançar candidatura própria, criarem a terceira via, e correrem a sorte de vencer e não ficar na “sombra” do poder de petistas ou oposicionistas.

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